+zero
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tomemos como ponto de partida o que denominamos simbolicamente como "sistema de arte [+zero]", doravante apenas chamado de "[+zero]". trata-se de grupo composto por jovens que desde o início de 2007 dedica-se a uma práxis teórica e artística baseada em uma total falta de fundamento, de ausência de chão firme que sustente e dê segurança. nos referimos então a algo intempestivo, que busca aligeirar, descarregar a vida através da invenção de novas possibilidades – devaneios – trazidos à tona por um comportamento absurdo. estas possibilidades – virtualidades – diluem-se em atos performáticos, ciências da linguagem, incursões ao mundo simbólico dos procedimentos lógicos da programação, instalações de dispositivos sensórios eletrônicos – analógicos e digitais – e do trato computacional da realidade. disso tudo trata o [+zero].

inicialmente queremos destacar o aspecto lúdico que permeia o trato do [+zero] com relação a práxis artística. dai nasce a completa recusa do uso do termo industrial "trabalho" quando nos referimos a qualquer proposta realizada, ou apenas concebida, pelo [+zero]. o sistema não trabalha, simplesmente joga: um jogo absolutamente despreocupado, com apenas algumas regras básicas em número bastante reduzido. estar de acordo com tais regras é jogar o jogo proposto. e aqui, neste jogar, há seriedade sagrada, respeito absoluto pela falta de fundamento, pelo lançar-se ao abismo.

o [+zero] toma a arte como ficção ilimitada, sem compromisso algum com o real objetivo, estendendo esta concepção a todos os jogos propostos.

o que nos interessa é o aspecto ensaístico da teoria. o aspecto poético: da imprecisão romântica que Kant condenou mas que o livre pensamento traz em seu esplendor.

muitas metáforas e figuras de linguagem tem sido empregadas na tentativa de tornar transparente o modo de ser dos aparelhos – jogo de permutações icônicas –, e da arte que emerge a partir do jogo contra eles. muitos tentam entender como tal jogo lúdico, conatural, entre a mente humana e a mente do aparelho é efetivamente processado na esfera das artes computacionais. abordaremos neste texto a compreensão que o [+zero] tem sobre tal tópico. de início, é preciso deixar claro que o que entendemos por "jogo conatural entre a mente humana e a mente do aparelho" diz respeito à instituição de um comércio signico entre a mente aparelho e a mente humana. o [+zero] simplesmente dialoga com a mente computacional, pois esta é conatural, correlata, as mentes dos integrantes do [+zero]. este modo de operação dá vazão, nos estratagemas adotados nos jogos do [+zero], a uma concepção conceitual baseada no absurdo, que associaremos a idéia de abismo, a perda de chão, que parece ter uma correspondência adequada com o modo de ser do acaso. a perda de chão consiste em uma situação absurda, que precisa ser esclarecida.

para o [+zero] a arte, ficção pura, por si mesma já representa uma situação absurda, por estabelecer um modo de ser correspondente a liberdade irrestrita, que necessita ser recortada, destacada, colocada em confronto com um outro para que esta possa vir a tona de modo a ser percebida. situação absurda é situação sem fundamento, sem raízes, sem significado, em base razoável. é situação na qual temos a sensação de estarmos boiando sobre abismo no qual os conceitos de "verdadeiro" e "falso" não se aplicam. em uma situação absurda temos ambas as coisas: a verdade e a falsidade. situação absurda é ambas as coisas e nenhuma delas.

tudo se resume a loucura. devemos aceitá-la em toda a sua magnitude. a livre (re)combinação de tudo. este é o caminho a seguir. a alternativa mais racional, mais significativa é a loucura completa e irrestrita.

a arte também pode ser "ambas coisas" – verdadeira ou falsa – por, a princípio, não ser nada. para o [+zero] esta é a regra do jogo da arte: apresentar um total descompromisso com qualquer outra coisa. dai o [+zero] só poder ser considerado sério a partir desta premissa, que origina-se de um estado de total não seriedade e não necessidade, mesmo que tal estado soe como absurdo. todos os atos do [+zero] são contingenciais e é assim que os jogos propostos devem ser jogados, de maneira absolutamente lúdica. as regras que guiam os jogos não obedecem uma ordem fixa, sendo intercambiáveis e combináveis em uma busca por certa organicidade, uma forma não prevista que nasce a partir da experimentação dos jogos no tempo. a partir de um pequeno conjunto de regras podem ser produzidas infinitas possibilidades combinatórias.

este site diz respeito a uma pequena parte destas possibilidades combinatórias.


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artur schopenhauer