o projeto VISITA:DELÍRIOCORPORAL busca integrar corpos | roupas panejantes | tecnologia em um sistema performático [sp] onde o corpo dos performers e do público adentram um único lugar – atrator e repulsor – mediado pela tecnologia [técnica aplicada]
• lugar atrator: sabe-se que a tecnologia seduz, pelo fato de ser ritual mágico, aproximando-se, desta forma, da arte. esta sedução atrai, aproxima pelo impacto do que apresenta-se como tempo de magia, onde as relações são explicadas pela imaginação – procedimento de reconstituir narrativas através de memórias e experiências incompletas. em primeiro lugar, portanto, existe a atração do público para o projeto, causada pelo estranhamento do aparato panejante [ap] vestido pelas performers. este aparato panejante [ap] será descrito a seguir neste documento propositivo [dp]
• lugar repulsor: ao mesmo tempo em que seduz, o desconhecido causa medo. medo de interagir, medo de descobrir, medo de adentrar espaços que a mente ainda não mapeou. o medo coloca os sentidos em estado de alerta, onde o menor sinal de perigo espanta, assusta. aproveitando este estado de quase euforia, os aparatos panejantes [ap] contarão com dispositivos emissores de signos imagéticos luminosos e sonoros, em diversas escalas. ao serem tocados, pressionados, estimulados, os aparatos panejantes [ap] disparam estes signos, surpreendendo o interator desavisado. é claro que tal repulsão precisa contar com um impacto inicial, que se perde na medida em que o interator descobre o modo de funcionamento, ainda que não completamente, dos aparatos panejantes [ap] e ao mesmo tempo se habitua com o corpo do outro, da performer. deste modo o lugar criado atrai e repulsa

delírio: do latim deliriu. substantivo masculino, excesso de sentimento; figurativo, exaltação, entusiasmo; desvio mórbido da razão contra o qual não valem a experiência nem a argumentação lógica e em virtude do qual o indivíduo se afasta cada vez mais da realidade

o projeto é composto por 5 [cinco] performers femininas que transitaram nos espaços da unidade sesc são josé dos campos nos dias 06 [seis] e 07 [sete] de dezembro de 2008 [dois mil e oito]. estas performers estavam vestindo aparatos panejantes [ap] distintos, com sensores reagentes ao estímulo do público. estes sensores dispararam ações nos aparatos panejantes [ap]. os corpos das performers foram o sustentáculo para que a experiência acontecesse. o projeto previu algumas entradas ao longo da festividade de inauguração da unidade do sesc já mencionada. em algumas entradas, as performers simplesmente circularam pelos espaços da unidade do sesc, tendo seus corpos a função de tocar e de serem tocados pelos interatores. em outras entradas, as performers somente permaneceram imóveis em locais por elas selecionados e ficaram aguardando a interação do público, o que constituiu interessante não-participação contemplativa [npc] por parte dos interatores. outras possibilidades exploradas nas entradas performáticas foram performances coletivas – onde as performers interagiram entre si, explorando os recursos do corpo e dos aparatos panejantes [ap] das outras performers – e performances individuais de cada uma durante a circulação/performance [cp], os integrantes do[+zero] estiveram no espaço da internet livre, com um manequim vestindo um aparato panejante [ap] conectado a um aparelho de microcomputação portátil – laptop –, demonstrando o funcionamento do sistema ao público. neste espaço, o público pode vestir um aparato panejante [ap] e colocar seu corpo a disposição das interações, invertendo a relação interator/obra este projeto foi ao encontro de outras atividades desenvolvidas pelo[+zero] com o objetivo central de discutir o status da arte diante dos procedimentos de digitalização e do uso de estruturas eletrônicas para a produção de linguagens reticulares recombinantes, catalizadas por interações com o público que visita o espaço onde ocorre o projeto. VISITA:DELÍRIOCORPORAL ainda se insere em contemporânea discussão sobre a inserção do corpo no campo da arte computacional
o projeto aqui exposto procurou, portanto, inserir-se no ambiente da unidade sesc são josé dos campos, integrando-se e interagindo com o espaço e com o público, elemento responsável pelas excitações áudio visuais que foram exibidas pelos aparatos panejantes [ap]. os corpos – tanto do público quanto das performers – foram a base para a exploração desta proposta que se insere no universo da arte computacional
os aparatos panejantes [ap] são constituídos por: corpo da performer, estrutura panejante [ep] – também chamada de roupa – que abriga o corpo da performer e estrutura os dispositivos sensórios eletrônicos [dse], dispositivos sensórios eletrônicos [dse] diversos – sensores ultrasônicos para identificação de presença, sensores sensíveis ao toque para detecção de contato/impacto, switchs, sensores de luminosidade e sensores eletromagnéticos –, diodos emissores de luz – leds – utilizados como uma das possibilidades de identificação de interação [pi2], alto falantes de 2 e 3 polegadas, buzzer – sirene de alarme automotivo, arduino lilypad – aparelho responsável pelo controle dos dispositivos sensórios eletrônicos [dse] e dos leds, alto falantes e buzzers – e bateria 9 volts. cada aparato panejante [ap] é estrutura independente, funcionando de maneira autônoma, dependendo somente, é claro, de um corpo para panejar. isto quer dizer que não é necessário nenhum fio ou ligação externa ao aparato panejante [ap]. de maneira paralela aos atos performáticos [ap], foram utilizados os seguintes equipamentos/objetos na sala de internet livre: microcomputação portátil – laptop –, mesa para sustentação da microcomputação portátil – laptop –, busto manequim para exibição do aparato panejante [ap] e aparato panejante [ap] completo, que poderá ser vestido pelo público
os sons emitido pelos alto falantes e pelo buzzer, assim como as luzes emitidas pelos leds, são construídos a partir da interação com o público, que toca os aparatos panejantes [ap] ou é tocado pelas performers
os aparatos panejantes [ap] foram desenvolvidos e produzidos pelo [+zero], que conta com integrantes com experiência na modelagem de roupas, sendo costurados por costureiras profissionais, utilizando os tecidos adequados. a instalação dos dispositivos sensórios eletrônicos [dse], dos arduinos, das baterias, dos alto falantes, dos buzzers e dos leds foi um procedimento realizado pelo [+zero], através de circuitos eletrônicos desenvolvidos para este fim, completamente integrados aos aparatos panejantes [ap] e que não oferecem nenhum tipo de risco com relação a choques elétricos nas performers ou no público interator
as seguintes performers participaram do ato: isadora frost, michelle mattiuzzi, patrícia faolli, raquel neves e sara panamby
