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¨Ó∫ DATALISMO Á¥

postado em 9 de March de 2008 por – 2 comentários

datalismo

LANÇAMOS O DATALISMO

o [anti]movimento datalista
surge da necessidade de dar algum tipo de legibilidade a um mundo onde os aparelhos estão cada vez mais presentes, gerando signos em uma profusão enorme e a uma velocidade até então inédita na história da civilização. apresenta-se como [anti]movimento no sentido em que o vocábulo “movimento” é costumeiramente utilizado no campo das artes. entretanto, é movimento por trazer o sentido de movimentação projetual, não visando, nem almejando, nenhuma espécie de vanguardismo, imobilidade ou rompimento. apresenta-se de forma espiralada. aspira à espiral. espiral enquanto movimento de sucção, que tudo puxa e engole em direção a um centro que, ao mesmo tempo em que é bem definido, guarda seu final, sua luz, em completa condição incógnita.
movimento, em sua concepção artística moderna [principalmente], presupunha a condição vanguardística. vanguarda, palava que significa “estar à frente de”. ou seja, um movimento de vanguarda busca, através do rompimento ontológico, ditar novos rumos, trilhar outros caminhos, mostrar onde está a luz. em uma sociedade onde a luz era algo para poucos [sociedade que acabava de descobrir a modernidade] fazia algum sentido encontrar nas :novas: manifestações que surgiam – como o cinema – um caminho a ser desbravado. mas qual é o papel da vanguarda em uma sociedade que está saturada de luz? uma sociedade onde a iluminação é abundante, mas mesmo assim não torna a experiência humana mais estética.
os aparelhos emitem luz de diversas formas, seja por diodos emissores, seja por tubos de raios catódicos, seja por lcds, seja na forma plasmástica. todos apontam caminhos e ao mesmo tempo nenhum é apontado. tal situação configura a era dos aparelhos, que se diferencia da era das máquinas [machines] por ser lúdica e proporcionar o brincar. brincar de permutar símbolos em telas iluminadas. brincar com a luz.
o [anti]movimento datalista, portanto, segue esta lógica aparelhística, utilizando os aparelhos como espirais semióticas, que tudo sugam sem distinção e sem, necessariamente, um ponto final determinado. não há diferença estar à frente ou atrás. gira-se descontroladamente. e tudo vale neste girar. canibalismo digital, onde sons, vídeos, textos e corpos emergem e submergem cirandando.
a lógica espiralada abole, também, a distinção cartesiana, notadamente proveniente das escolas de filosofia francesas, que diferencia matéria e espírito, adotando outra concepção, onde matéria e espírito estão unidos cosmologicamente, na essência do universo. nesta idéia, a matéria também é uma forma de mente, também se comunica, sendo, porém, uma mente exaurida, cansada, que não apresenta mais a mesma vitalidade e criatividade encontradas na mente humana.
somente através desta concepção una, chamada de conaturalidade, é que podemos encontrar e conceber um sublime tecnológico e, até mesmo, artístico. o sublime, de acordo com kant, é a capacidade que a experiência estética tem de nos surpreender, através de seu gigantismo. apenas uma forma de mente pode causar tal alvoroço em nosso espírito [mente] criativo. é através da contemplação, ato de contemplar, experiência primeira, que o estágio de unidade entre formas de mente pode ser atingido.
após aparelho e homem se tornarem uno, some o medo do determinismo tecnológico e abra-se espaço para novas possibilidades de linguagem. os aparelhos e as experiência artísticas que os habitam deixam de ser frias, calculadas, plasticamente herméticas e demasiadamente limpas para se [re]aproximarem dos conflitos humanos, quentes, imprevisíveis, abertos, confusos, prolixos e desprovidos de assepsia.
o [anti]movimento datalista, se apresenta assim: unidade entre mentes aparelhísticas e biológicas, superação da necessidade moderna vanguardística, a instauração de linguagens adequadas ao estágio civilizatório e abolição da assepsia estética.

2 comentários para “¨Ó∫ DATALISMO Á¥”

  1. régis says:

    rapaz do céu! quer dizer q as vanguardas morreram? eu leio o obituário todo dia e não fui informado!
    o jeito agora vai ser espiralar sem distinção entre matéria e espírito.
    droga! lá se foram minhas ambições cartesianas.
    em todo caso, façam como fizerem, deixem o peirce em paz! deixem-no viver por mais alguns séculos.

  2. karl marx says:

    Todas as revoluções comprovaram, até hoje, que é possível mudar muita coisa, menos o ser humano

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