arquivo de December, 2010
O pêndulo do duplipensar como categoria do meta-real.
O duplipensar é o que nos permite aferir legibilidade aos fenômenos da meta-realidade. Duplipensar, como a documentação literária nos mostra, é a capacidade de (1) aceitar fatos paradoxais como sendo corriqueiros; (2) é uma instância da mudança constante a que o mundo é submetido: as coisas mudam e a verdade é um subproduto do contexto (corrupçã0); (3) a realidade é manipulada pela linguagem. Em seu movimento pendular, as estratégias que o duplipensar adota e aprimora nos mostram, de forma evidente e convincente, que a linguagem é o que está no centro nervoso do meta-real, o real mais real do que o real. A linguagem suplantou o real, o tornou defasado e abriu espaço para que as tecnologias – técnicas aplicadas – da linguagem fizessem do meta-real a objetivação do presente. Como algo verdadeiro se transforma em falso e vice-versa? Partimos da constituição de uma binariedade por excelência. Entretanto, a meta-realidade não pode ser compreendida através do pensamento manequeista. O campo meta-real é feito por finas graduações, onde verdade e falsidade não são valores absolutos, mas sim pendulares. A perspectiva única foi abolida e em seu lugar reina uma pluralidade de olhares e visões que se contradizem mutuamente. O homem que articula meta-realidade, ou que por ela é articulado, anseia liberdade. A liberdade só pode existir na contradição. Revisitar é ação básica de toda a meta-realidade, significando deslocamento constante de contextos. Por isso pensar na realidade meta-real exige esforço constante. Quem tenta estruturar a realidade meta-real desenvolve esforço em vão, pois tenta classificar o inclassificável. Assim o pêndulo do meta-real, em última análise uma condição tentacular, coloca em crise toda a ciência, a arte e a filosofia, todos estes campos embarcam na gangorra que é o pêndulo do duplipensar, categoria tentacular do meta-real que justifica qualquer coisa.
tags: +zero, duplipensar, meta-real, meta-realidade, pêndulo, roy batty, tentáculo
A meta.
A meta-realidade é a meta de toda construção real. É a meta-glauberiana, é a meta da arte. É a meta da ficção. É a mega-meta, a hiper-meta, a supra-meta. A meta que guia a produção que investiga os recônditos da linguagem. A meta que margeia as margens. A meta que não é fixa, mas múltipla. A pluri-meta. É o que está após a realidade, e por isso é, de certa forma, inominável. O termo meta-real mesmo, em sua essência, representa e evidencia algo inalcansável. Como todo símbolo é uma tentativa de racionalizar algo que emerge de uma situação de absoluto descontrole. A pluri-meta é tentacular. E sob tal aspecto erguem-se as novas edificações do meta-real.
tags: +zero, edificações, meta-real, roy batty







