*& para a comissão de arte do simpósio

seguinte: as bestial:idades mentais pensam que fomos vencidos, mas não fomos. nibiru surtopia se aproxima. a flecha do tempo é inexorável. estamos tentando lidar com isso. prova é nossa participação com textolatria abismal no II simpósio da abciber – associação brasileira de pesquisadores em cibercultura, do cencib – centro interdisciplinar de pesquisas em comunicação e cibercultura. segue resumo espiral
– no word –
EXPERIÊNCIAS DIGITAIS COM A LIBERDADE
pmdn +zero do brasil
Fabrizio Augusto Poltronieri – Centro Universitário SENAC / PUC-SP
Raphael Dall’ Anese Durante – Universidade Presbiteriana Mackenzie
Pr (Bi/A) = Pr (Bi) Pr (A/Bi)
Pr (Bk/A) Pr (Bk) Pr (A/Bk)
(Thomas Bayes – Teorema de Bayes)
Toma-se o pmdn +zero do brasil[1]; que constitui-se em: pesquisa aberta, ininterrupta e contínua – como um abismo – que toma como objeto o diálogo dialógico e não hierárquico. Nos referimos à abismo por considerarmos esta terminologia conceito-hipótese mais plausível do que a metáfora desgastada do labirinto adotada por muitos autores[2]. Este plano, que em seu lado exterior mostra-se como produção artística digital (pad), reflete sobre o acaso e sobre as experiências de alteridade com o outro. Não detendo-se ao discurso do método como modo de diretriz estética rumo a Verdade. Devemos assenhorarmo-nos da Dúvida flusseriana[3] – tomando-a como modelo para o pensamento categorial contemporâneo –, de maneira a possibilitar o espelhamento e a contemplação. Considerando a Dúvida em oposição às certezas metodológicas modernas e observando-a como fundamento para a investigação intelectual e artística sem chão[4].
O aparelho, objeto estranho, por ser objeto artificial, modelado pelo homem, elemento essencial à produção artística digital, é um ser em oposição. E é como tal que funciona: aparelho-fera. É um ser que assumiu uma posição que é oposição: uma posição negativa. É um ser que nega. É por isso que reflete: o real. Reflete, nega e engana; seduz. As respostas que o aparelho articula em seu jogo são todas negativas. Refletir é negar, e isto é a sua estrutura. Os códigos programados em seu Programa confirmam esta afirmativa: o real nega. As possibilidades distribuídas fortuitamente pelo acaso, também negam. Não deve portanto surpreender que o fundamento do aparelho seja o nada, essa fonte de toda negação possível. O fundamento do aparelho são os sistemas caóticos de não-equilibrio: caos é puro nada[5]. Por isso, desta brincadeira com o nada, surge a liberdade.
O pmdn +zero do brasil é, assim como o aparelho, um ser em oposição. E é como tal que funciona. É um ser que assumiu uma posição que é oposição: uma posição negativa (pn). É um ser que nega. É por isso que reflete: o real. Reflete, nega e engana; seduz. Não deve portanto surpreender que o fundamento do pmdn +zero do brasil seja o nada, essa fonte de toda negação possível. E, portanto, de toda liberdade possível.
Neste trabalho-texto (tt) pretende-se discutir as conseqüências do acaso nos processos de criação envolvidos nas artes digitais, caracterizadas essencialmente pelo jogar lúdico com aparelhos. Este jogo lúdico – sedutor, que configura a produção artística digital abismal relativa ao pmdn +zero do brasil –, parte de uma concepção de jogo programático (jp) que possibilita o flerte aberto com a liberdade, visto que liberdade é jogar contra o aparelho[6].
Acaso, acidente, eventualidade, imprevisto, inesperado, fortuna, sorte, ventura, são sinônimos que podemos adotar para liberdade: um modo fortuito e despreocupado de existir.
A programação, que em seu aspecto formal apresenta-se sob o modo de ser do discurso, portanto segundo mediado – que constitui-se como terceiro –, é lei transformada em palpite por estar incondicionalmente sob o julgo do acaso, primeiro. Esse processo é explicado pela tentativa insuficiente do código de programação tender, mas não realizar, a exatidão. Quem programa de maneira desavisada busca refletir uma realidade objetiva; neste ponto nos encontramos em encruzilhada filosófica; é preciso selecionar um discurso a ser seguido, se a objetividade desprovida da vontade de Schopenhauer ou se o desejo e potência da vontade de Nietzsche.
Abandonaremos a encruzilhada sem propor reparo. Pois é do universo factual que o acaso criou as leis para poder, ele, em sua ira, quebrá-las. Para o acaso a decisão tanto faz. Partimos de um plano de possibilidades infinitas (∏) para esta análise. Para ilustrar: se um dado fosse marcado com um determinado algarismo ou número de pintas em quatro de suas faces e com outro algarismo ou número de pintas nas duas faces restantes, seria mais provável voltar-se para cima uma das primeiras que das segundas; mas, se tivesse mil faces marcadas do mesmo modo e apenas uma diferente das outras, a probabilidade seria muito maior, e mais firme e segura a nossa crença ou expectativa na determinação do fenômeno.
Talvez esse processo mental ou raciocinativo pareça trivial, mas para quem o considera mais a fundo ele pode dar margem a interessantes especulações. Passamos, deste modo, a considerar como igualmente provável o voltar-se de qualquer das faces para cima. E nos parece que está nesta operação a verdadeira natureza da liberdade, ou do acaso: tornar perfeitamente iguais e equiprováveis a determinação de qualquer possibilidade pré-inscrita no programa do aparelho. Aqui consiste a pressuposição da necessidade. A determinação de toda e qualquer possibilidade se dá ao acaso, por necessidade, num esforço para descobrir potencialidades até então ignoradas.
Embora dando preferência ao mais usual e acreditando na determinação de uma possibilidade, não devemos esquecer todas as outras: é preciso dar a cada uma delas um peso e autoridade particular, conforme haja mostrado com freqüência no passado. Talvez seja esse o modo de ser do jogo entre homem e aparelho; este eterno retorno (er) num empenho repetitivo para a realização do objetivo: esgotar as possibilidades. Aparelho é brinquedo e não instrumento no sentido tradicional. E o homem que o manipula não é trabalhador, mas jogador. E tal homem não brinca com seu brinquedo, mas contra ele. Procura esgotar-lhe o programa. Desta maneira, aparelho implica em automação e jogo. Esse jogo, do homem contra o aparelho implica em variáveis, sendo estas: possibilidade, probabilidade e necessidade, pois estão implícitas no modo de ser desse jogo.
Acolhemos o exemplo do dado expandido (de)[7] como mera ilustração já que este não constitui-se como aparelho. Imaginemos, agora, um espaço de apresentação infinito, determinado pelas memórias digitais. Este espaço não está limitado fisicamente como o dado expandido (de). Por ser espaço infinito as possibilidades são exponencialmente aumentadas. Desta constatação surge a percepção de que os aparelhos digitais (microcomputadores) não configuram-se como espaço da determinação labiríntica, mas sim da indeterminação apresentada pela queda livre abismal. Cair no abismo é entregar-se à liberdade proporcionada pelos aparelhos digitais. A arte, produção e fruição, se determina durante a queda.
A arte digital, jogo lúdico, ocorre pela permutação livre, necessariamente regida por regras, de símbolos codificados nos brinquedos assim chamados: C++ (néctar supremo), Java, Python, Ruby, Javascript, Processing, Max/Msp, PureData, openFrameworks, GCC e toda miríade vasta de compiladores e interpretadores encontrados nas lojas de brinquedos espalhadas pela rede – alucinação coletiva digital, na qual a humanidade se conecta.
Artista digital (ad) é jogador que codifica nestes brinquedos. Mero funcionário é aspirante ao jogo, que simplesmente não mergulha na experiência completa da liberdade: somente surfa – surf alucinado, deslumbrado. Artista-jogador-digital-engajado é mergulhador abismal oceânico (mao), com pulsão de descobrir o que o mero surf alucinado, deslumbrado, não possibilita, por ser pensar raso, que não perde seu chão.
A arte digital se apresenta como via estética de escape à hedionda premonição, realizada décadas atrás pelos Nostradamus de vigília das ciências humanas, mentes aprisionadas em teoréticas concebidas por nomes da escola frankfurtiana[8]. Premonição esta que ainda nos ronda, como um pesadelo a nos dizer que estamos completamente subjugados pelo cérebro maquínico – mente cartesiana agrilhoada pela certeza moderna.
Não obstante, o pmdn +zero do brasil vem jogar luz potente – capaz de cegar os desavisados –, nas relações contemporâneas entre arte digital e programação, visto ser formado por jogadores que programam e constróem os aspectos duros hardware e os fluídos software utilizados para queda abismal live. O trabalho-texto (tt), aqui resumido, decididamente efetua mapeamento das categorias da contemporaneidade, de acordo com o apelo legado por Flusser em conclusão dramática de seu texto sobre a Filosofia do aparelho[9]. Súplica esta, despercebida pelas mentes que apenas realizam fichamento de sua obra. Urge uma Filosofia do aparelho para que a práxis programática – modo de ser deste – seja revelada. A conscientização com relação a tal práxis é necessária porque, sem ela, jamais captaremos as aberturas para a liberdade na vida do funcionário dos aparelhos, ressaltada a importância da transmutação da figura de funcionário para artista-jogador-digital-programador alforriado.
Referências bibliográficas (rb):
IBRI, Ivo Assad. Kósmos Noêtós: a arquitetura metafísica de Charles S. Peirce. São Paulo: Editora Perspectiva: Hólon, 1992.
FLUSSER, Vilém. A dúvida. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999.
_______________. A história do Diabo. São Paulo: Annablume, 2008.
_______________. Bodenlos: uma autobiografia filosófica. São Paulo: Annablume, 2007. (Coleção Comunicações).
_______________. Filosofia da caixa preta: ensaio para uma futura filosofia da fotografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.
1 plano maior de dominação napoleônica +zero do brasil – www.maiszero.org
2 Ao longo do texto final, desenvolveremos este conceito de acordo com Flusser, 2008.
3 Flusser, 1999.
4 Vide Flusser, 2007.
5 Peirce apud Ibri, 1992:35.
6 De acordo com Flusser, 2002.
7 de: operação mental que concebe um dado com mil faces.
8 A este tipo de mente é vedado o acesso à liberdade proporcionado pelo aparelho-fera.
9 Flusser, 2002.
nibiru




















