o +zero é uma idéia que tem, pelo menos, 1 ano. neste 1 ano passamos, eu e o raphael, por momentos de empolgação e por momentos em que simplesmente ignoramos a idéia, não por falta de interesse em fazer, mas por outros compromissos nos impossibilitarem de parar para realmente fazer o que tinha que ser feito.
até que, finalmente!, este ano arrumamos um tempo para fazer, apesar de continuarmos tão atarefados quanto antes. eu diria, na verdade, que estamos até mais atarefados, pois estou dando aula todos os dias – de manhã e de noite – e fazendo o doutorado. e o raphael está com o escritório e pretendendo começar o mestrado. além disso estamos realizando outras atividades, como escrever papers para congressos e nerdices em geral. além de tempo pra família, pra namorada, pra beber e pra outras coisas cotidianas – que acabam sendo as mais importantes!
outro fator que contibuiu para a retomada do projeto é o fato de agora termos equipamentos adequados, ou quase adequados. principalmente computadores. na realidade, os equipamentos acabam não tendo uma importância central, pois uma das idéias do +zero é realizar um “projeto macunaímico”, ou seja, lançar mão, deliberadamente, de gambiarras e jeitinhos. já falei isso em congressos: que o grande diferencial do povo brasileiro é o jeitinho, que em vez de ser exacrado pela pseudo-intelectualidade brasileira deveria ser definitivamente incorporado ao nosso dia-a-dia com orgulho. de forma contundente, central e consciente em todos os aspectos da vida do brasileiro. o projeto macunaímico é isso, o jogar criativo com o acaso. é impressionante como o único povo que não gosta de brasileiro é brasileiro. ou melhor, a intelectualidade brasileira, que enxerga algumas características do nosso povo como meras alegorias folclóricas, e prefere continuar discutindo as problemáticas importadas do velho continente.
enfim, o fato é que o projeto está andando e temos tudo “no jeito” agora. não digo pronto, pq pronto não vai estar nunca. todo dia mudamos alguma coisa. e o dia que estiver pronto não estaremos mais perdidos e acabou. nossa estratégia é estarmos sempre perdidos. por isso que chamo de “ensaio”, entre aspas. porque não tem o que ensaiar. se ensaiar vira uma mera banda com uma projeção sem sentido no fundo, ou na frente. mas de qualquer forma teríamos que testar os equipamentos. então a reunião foi mais para isso. para testarmos as coisas todas juntas.
consideramos o saldo bastante positivo, pois provou a viabilidade e os resultados foram muito bons! além de ter nos alertado para uma série de aspectos. entre eles:
• o processo de montagem de tudo é mais complexo do que imaginávamos. apesar de não ser tanto equipamento assim.
• os equipamentos são pesados e vamos ter que achar soluções para transportá-los, montá-los e desmontá-los.
• a nossa idéia de usar um inversor e uma bateria de carro não vai dar certo nem por providência cósmica. hahahah. em nossa incursão pela santa ifigênia ficou claro que não somos do ramo e que estávamos iludidos.
disso, continuam pendentes 2 questões:
• a fonte de energia: após a desilusão com o inversor e o alto custo – para nós – de um gerador, temos que procurar alternativas. é uma lei universal a que diz que se você não quer ter problemas, preocupações ou frustrações, é só não desejar nada. esvaziar, como fazem os orientais. é você querer fazer algo que o mundo reage. e é isso que, naturalmente, está acontecendo. após eu descobrir que havia, no quarto do pó aqui de casa, um gerador 110 a gasolina foi o que bastou para, no minuto seguinte, eu também descobrir que ele estava quebrado. e, no dia seguinte, meu pai dizer que não conseguiu arrumá-lo. para as apresentações indoor isso não constitui nenhum tipo de problema. mas na rua precisamos de uma fonte de energia. a solução será fazer uma extensão gigantesca e oferecer 10 real pro dono de algum estabelecimento comercial do povo (boteco) pra usar uma tomada por 15 minutos. vamos providenciar a extensão essa semana ainda.
• o projetor: bom, essa é talvez a parte mais complicada. após a reação do mundo em relação ao projetor do meu pai, que não funcionou nem 1 mês e queimou a lâmpada – que não é coberta pela garantia e custa R$ 1.500,00 –, nos sobrou pedir emprestado projetores para conhecidos. a questão é que só conhecemos uma pessoa que tem um projetor – meu tio – e o projetor é uma nave espacial, muito grande. além de ser caro, caso ele sofra algum sinistro (toc toc toc). mas como não temos dinheiro agora, vai ter q ser com esse mesmo. sonho de consumo atual: projetor de 2.500 lumens.
enfim! foi muito bacana o “ensaio”. deu para ter uma dimensão mais real das coisas e nos empolgar mais. as possibilidades são infinitas e a cada hora aparecem novas. fora o grande número de pessoas que também querem participar de alguma forma.
agora é tomar as ruas, as universidades e todos os demais espaços.