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A meta-natureza: A natureza meta-real: A natureza mais natural do que o próprio natural.

postado em 23 de October de 2012 por – deixar um comentário

meta nature vimeo from roy batty on Vimeo.

Nos dias correntes é lugar comum a afirmação de que o homem, há muito tempo atrás, deixou de pertencer a natureza e que esta encontra-se, consequentemente, cada vez mais afastada do homem. Os lugares naturais encontram-se afastados e cada vez menos acessíveis. Apenas uma elite extremamente bem preparada tecnicamente e psicologicamente tem acesso a eles. A comunhão com o natural é algo distante do homem médio, que cada vez mais encontra nos processos industriais, em crescente procedimento de personalização e individuação – o que nos leva a duvidar da aplicabilidade contemporânea do termo “industrial” –, os substitutos para a natureza. A artificialidade tornou-se o elo de ligação entre o homem médio e a natureza, praticamente encoberta pela meta-natureza, a natureza meta-real: A natureza mais natural do que o próprio natural. Enquanto o mundo selvagem – natureza – é extremamente perigoso e, por que não?, nocivo ao homem, a meta-natureza apresenta-se como seu habitat natural. A meta-natureza encontra, como não poderia deixar de ser, suas fundações em dois pilares cada vez mais sólidos, embora sejamos forçados a acreditar, cotidianamente e erroneamente, que tais pilares são cada vez mais frágeis. Obviamente todos sabemos, com um esforço cada vez menor, quais são estes sólidos pilares: Tratam-se da cultura e da civilização. Estas são as fundações do meta-real, o real mais real do que o real, e da meta-natureza que encontram-se apoiados em uma base ainda mais nuclear: A linguagem. É ela, certamente, a essência, conceito meta-físico, da meta-natureza. Abandonamos a natureza para vivermos na mediação da linguagem que erigiu a cultura e a civilização, pilares que prosseguem em expansão desenfreada: Meta-natureza. O objetivo da meta-natureza, cada vez mais bem sucedido, é criar um contexto completamente humano, distanciado da natureza pela cultura e pela civilização. Este contexto é um constructo de linguagem. Para tanto a natureza precisa estar confinada, afastada, avistada somente a partir de uma distância segura pela lente da linguagem. A linguagem tudo artificializa e, portanto, o homem é artificial e por isso para a civilização a cultura é a verdadeira, a meta, natureza. Todos os produtos verdes, livres de gluten, todos os exercícios feitos em academias de ginástica, as corridas pelas cidades com contemporâneos equipamentos e acessórios sofisticados, os combates químicos aos insetos e roedores, a assepsia e limpeza, a pavimentação, os animais de estimação escovados, amados e alimentados com meta-alimentos, os alimentos do meta-real, alimentos mais alimentares do que os próprios alimentos, as idas aos zoológicos, aquários e os safaris, a comunicação mediada por dispositivos técnicos, o deslocamento motorizado e a reciclagem e separação do lixo são apenas alguns dos infinitos índices da condição meta-natural que tão bem faz ao homem. Nota-se, por fim, que o meta-natural traz uma nostalgia do natural, despertando no homem uma meta-consciência que o faz desejar valorizar o natural quando se aproxima dele através das sofisticadas elaborações do meta-natural. É assim que a verdadeira beleza meta-física continua pertencendo ao inatingível natural, acessado sempre pelos tentáculos do meta-natural.
meta-natureza

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A meta-arte: A arte da meta-realidade

postado em 11 de September de 2012 por – 1 comentário

meta-arte

Sabemos, desde muito, que estamos imersos na meta-realidade, a realidade mais real do que a própria realidade. Um nominalismo exarcebado e cegante que colocou entre a mente humana – cultura – e a realidade camadas complexas de mediações convencionais. Camadas de linguagem. Camadas de pensamento.

Nuclearmente, espalhada de modo indissociável entre estas camadas, está a meta-arte, a causa e a coisa fundante de toda a meta-realidade. A meta-arte tem o seu modo de ser calcado na música, na espécie de signo mais fundamental da abstração. A música que, por sua vez, é análoga a matemática, a ciência formalizadora meta-real, que nada deve a ninguém e que é responsável, de fato, por todas outras ciências. Música e matemática como sendo a mesma coisa em um patamar abstrato, meta-ciência e meta-arte são a mesma mediação: A mesma coisa. Portanto a meta-ciência é fonte da meta-realidade, do nominalismo exarcebado que cegou a humanidade com relação a percepção do real.

Meta-real é meta-ciência, e meta-ciência é meta-arte, pois ambas são música e matemática em camadas nominalistas.

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Breves considerações a respeito da arte e da ciência no panorama meta-real da totalidade

postado em 25 de May de 2011 por – deixar um comentário

arte e ciência meta-reais

1) Arte e ciência são livres de tudo o que é positivo e que foi introduzido pelas convenções dos homens; ambas gozam de uma absoluta imunidade em face ao arbítrio humano. A arte e a ciência prendem-se ao que há de eterno e necessário na natureza humana, não ao que é arbitrário, contingente e positivo no sentido factual histórico,

2) O legislador político pode interditar seu território, mas nunca nele imperar. Pode proscrever o amigo da verdade, mas esta subsiste; pode diminuir o artista, mas não falsificar a arte e

3) A arte é que deve falsificar a realidade. Este é o verdadeiro desígnio da arte.

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A política como trama meta-real.

postado em 22 de March de 2011 por – deixar um comentário

politica meta-real

O jogo do poder é jogo ritualístico. E como todo ritual trata-se de magia absurda. Neste caso é jogo envolvido em magia cujo ritual procura envolver os participantes em ciranda conduzida por significantes sem significados. Almeja o fim do signo, não a sua completude. Os significantes são disperso, espalhados em um discurso da insensatez. Esta ciranda é viciante, pois trata-se de marcação territorial, de tomada de posse. Marcação e vigilância. Jogar o jogo do poder é tentar a todo custo marcar território e vigiar. Não há espaço para a inocência, para a pureza. É jogo jogado por raposas, que carrega a marca da esperteza em cada ato do pensar e da redobração do duplipensar. É jogo de esconder. Mostra-se publicamente, mas esconde-se a maior parte das coisas. Jogar politicamente é operar de dentro da toca. É nada dizer e tudo observar. Publicamente são saudações gentis, mas de dentro da toca se opera maleficamente. Se opera para a manipulação da realidade, tendo em vista o meta-real, o real mais real do que o real, em um sentido não-positivo. O meta-real é uma realidade eminentemente política.

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O pêndulo do duplipensar como categoria do meta-real.

postado em 6 de December de 2010 por – 1 comentário

roy batty

O duplipensar é o que nos permite aferir legibilidade aos fenômenos da meta-realidade. Duplipensar, como a documentação literária nos mostra, é a capacidade de (1) aceitar fatos paradoxais como sendo corriqueiros; (2) é uma instância da mudança constante a que o mundo é submetido: as coisas mudam e a verdade é um subproduto do contexto (corrupçã0); (3) a realidade é manipulada pela linguagem. Em seu movimento pendular, as estratégias que o duplipensar adota e aprimora nos mostram, de forma evidente e convincente, que a linguagem é o que está no centro nervoso do meta-real, o real mais real do que o real. A linguagem suplantou o real, o tornou defasado e abriu espaço para que as tecnologias – técnicas aplicadas – da linguagem fizessem do meta-real a objetivação do presente. Como algo verdadeiro se transforma em falso e vice-versa? Partimos da constituição de uma binariedade por excelência. Entretanto, a meta-realidade não pode ser compreendida através do pensamento manequeista. O campo meta-real é feito por finas graduações, onde verdade e falsidade não são valores absolutos, mas sim pendulares. A perspectiva única foi abolida e em seu lugar reina uma pluralidade de olhares e visões que se contradizem mutuamente. O homem que articula meta-realidade, ou que por ela é articulado, anseia liberdade. A liberdade só pode existir na contradição. Revisitar é ação básica de toda a meta-realidade, significando deslocamento constante de contextos. Por isso pensar na realidade meta-real exige esforço constante. Quem tenta estruturar a realidade meta-real desenvolve esforço em vão, pois tenta classificar o inclassificável. Assim o pêndulo do meta-real, em última análise uma condição tentacular, coloca em crise toda a ciência, a arte e a filosofia, todos estes campos embarcam na gangorra que é o pêndulo do duplipensar, categoria tentacular do meta-real que justifica qualquer coisa.

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A meta.

postado em 2 de December de 2010 por – deixar um comentário

a meta do meta-real

A meta-realidade é a meta de toda construção real. É a meta-glauberiana, é a meta da arte. É a meta da ficção. É a mega-meta, a hiper-meta, a supra-meta. A meta que guia a produção que investiga os recônditos da linguagem. A meta que margeia as margens. A meta que não é fixa, mas múltipla. A pluri-meta. É o que está após a realidade, e por isso é, de certa forma, inominável. O termo meta-real mesmo, em sua essência, representa e evidencia algo inalcansável. Como todo símbolo é uma tentativa de racionalizar algo que emerge de uma situação de absoluto descontrole. A pluri-meta é tentacular. E sob tal aspecto erguem-se as novas edificações do meta-real.

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Algumas breves considerações sobre a arte e a mentira como categorias do meta-real.

postado em 21 de November de 2010 por – deixar um comentário

roy batty

Todos sabemos que o alvo da arte é a mentira. O ponto central do alvo que a flecha lançada pelo arco da arte mira é o ponto central do que se passa por outro, do que finge ser o que não é. A arte pode justificar qualquer coisa, dentro de seu sistema estético – sendo a estética a ciência mor da mentira –, e este é, em última análise, o ofício do artista: ser falso. A arte é correlata da mentira, e esta é correlata da meta-realidade, da abstração que a formula e a mantém. Assim, arte e meta-realidade são, em essência, a mesma figura. Quem organiza meta-realidade, a realidade mais real que o real, é artista no sentido mais verdadeiro, ou falso, da palavra.

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A arte da meta-realidade.

postado em 19 de November de 2010 por – deixar um comentário

roy batty

Desde o advento da perda da figura indicial-objetual pela práxis artística, temos assistido, perplexos, o galope descontrolado da produção da arte que atende aos anseios caprichosos do meta-real, o real mais real que o próprio. Esta arte que não pode ser fruída ocupa o centro tentacular onde outrora habitava o ponto de fuga perspectivo da renascença. Este ponto de fuga esfacelou-se mas, mesmo sendo afirmação absurda, continua central. O centro, como atentamos, é a meta de todo esforço que visa atender a meta-realidade. Depois da assombrosa invenção da fotografia assistimos, maravilhados e sem o distanciamento necessário, a compactação do tempo através de um processo sintético. A síntese provocada pelo aparato fotográfico equivale à reorganização formal causada por Filippo Brunelleschi no início do renascimento. A fotografia sintetiza o tempo do processo em apenas uma única cena, que depois o cinema reorganiza em quadros sucessivos. É congelamento de horas em apenas um único instante, uma única possibilidade. A fotografia abre espaço, no tempo que supostamente sobrou, para a massificação da arte meta-real. É fato curioso observarmos que, embora seja consumida de modo massivo, a arte meta-real nega e condena esta condição. Não quer ser popular, tende ao radicalismo das arcaicas e combalidas vanguardas. Sabemos, por vias empíricas e teoréticas, que a arte meta-real é ferozmente tentacular e tende a querer abraçar, tentacularizar, toda a realidade prévia. A fotografia inseriu a arte no sistema industrial, através da lógica da fôrma. Temos uma fôrma-padrão – o negativo – que impõe seu formato ao meio foto-sensível. Aqui teve início o que chamamos de selva das imagens meta-reais, habitada por ferozes seres tentaculares que hoje brilham, emanando uma luz profunda e cegante. Para caminhar em tal selva existem duas possibilidades: a simbiose completa e feroz com o meio selvagem, passando do estado de civilização ao de selvageria, o que seria uma regressão em termos sociais e políticos, mas que pode ser tido como progresso no meio artístico. A segunda possibilidade é a alienação pela cegueira física e intelectual, opção dos fracos de espírito e de estômago, dos que preferem uma vida com supostos riscos calculados. Esta via é, em sua essência, a mais perigosa, pois leva em linha reta ao suicídio. Estas são as possibilidades que a arte da meta-realidade traz aos homens da era pós-fotográfica.

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A selva das imagens meta-reais.

postado em 18 de November de 2010 por – deixar um comentário

roy batty

A meta-realidade, a realidade mais real do que o real, tem nas imagens sintéticas um grande aliado na divulgação de seus ideais mundanos. Tempo sagrado, por ser mágico, o tempo das imagens é feroz. Está sempre pronto para atacar, para dar o bote nos espíritos desavisados que se aventuram na selva espinhosa do real. A selva das imagens em que estamos inseridos é formada por telas e tele-telas, por câmeras de vigilância e por sinais sonoros. É simulacro do real. É simulação da vida. É aparato cotidiano que procura sintetizar o tempo comprimindo-o. Transforma processos complexos em simples cenas. Cenas são superfícies. Podem ser arranhadas, mas não tem a profundidade necessária para o pensar marginal complexo. A selva de imagens meta-real existe no formato de tentáculo que suga para o seu centro, através do telematismo, todas as imagens produzidas banalmente no cotidiano. Todas as fotografias de festas de aniversário, de passeios nos parques, de festividades religiosas. Todos alimentam o tentáculo feroz imagético da meta-realidade.

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A ciência como tentáculo da meta-realidade.

postado em 17 de November de 2010 por – deixar um comentário

roy batty

O empreendimento científico é fabuloso, uma experiência que assombra. Sabemos do caráter anárquico que envolve a produção de ciência e que confere a ela a atmosfera mística que constrói o seu entorno. A ciência mostra-se como empreendimento fabuloso organizado, e esta organização corresponde a um cosmos, de onde podemos apurar uma cosmologia científica, um modo de organização que surge diretamente de seu já apreendido caráter anárquico. A ciência se pretende supra-real. Pretende encapsular o real, paralizando-o para um estudo minucioso de suas estruturas. Pretende realizar microscopia no real. A captura científica do aspecto microscópico do real serve de embasamento para a criação de uma super-estrutura, baseada em fatos observados, que supere a própria tecitura da realidade. Esta super-estrutura é um tentáculo. O tentáculo científico da meta-realidade compreende a absorção do cotidiano marginal por um eixo central, aglutinador, que transfere energia das bordas para o centro, concentrando poder em um simulacro que visa a perfeição maquínica. A simbiose máquina-organismo, ou engrenagem-tentáculo, revela nos aparelhos sua concepção final, automatizada. A ciência como tentáculo da meta-realidade é isso: Tentáculo automatizado, programado em forma de aparelho cosmológico.

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